LUÍS PAIXÃO, arquitecto

Devido á circunstância do atelier ter nascido em Sesimbra, pequena Vila piscatória, ausente de arquitectos (a maior parte das encomendas era á época assegurada por escritórios de Lisboa) foi possível no início da actividade liberal em 1980, fazer valer e afirmar o gesto do arquitecto nos diferentes planos disciplinares em concorrência com outros profissionais residentes que trabalhavam na mesma área. Foi a partir desta afirmação que no seu inicio a actividade do atelier se ancorou e desenvolveu, projecto, a projecto, sempre numa estratégia de proximidade ao cliente, ao local e á obra. A actividade do atelier foi crescendo vindo progressivamente a incidir sobre alguns concelhos ao Sul de Lisboa: Almada, Palmela, Setúbal, Vila Viçosa e Alcácer do Sal. Os programas arquitectónicos abrangidos ao longo da sua existência foram muito diversificados sendo todavia dominantes os ligados á residência sejam em habitação unifamiliar como os grandes conjuntos urbanos e habitacionais. A encomenda foi sobretudo privada embora tenha havido, mais recentemente, também encomenda pública para realização sobretudo de arranjos urbanos e equipamento. A percentagem de concretização dos projectos situa-se nos 90%.

Com o período de formação (1972-1978) efectuado nos tempos ricos e inquietos do pós-modernismo, de infeliz designação, houve por essa razão no plano das linguagens e da sintaxe arquitectónica, uma grande permeabilidade às influências, desde o vernacular ao contemporâneo mais internacionalista sempre na procura de uma síntese expressiva e situada que fosse o espelho da nossa época e simultaneamente transportadora de uma ética de valores. Foi também nesse período que se voltou a discutir os problemas do desenho da cidade devolvendo a importância á Arte Urbanística versus planeamento urbano, discussão essa cujas conclusões tardam em ter a sua verificação exemplar. Não será demais referir também que é em Sesimbra que se encontram algumas das obras de referência do arquitecto Conceição Silva das quais sobressai o projecto do Hotel do Mar cuja presença eleva o padrão de exigência disciplinar.

O exercício da actividade de docência universitária a partir dos anos 1996 e o convívio e tertúlia com os meus pares de várias gerações e de vários países estrangeiros permitiu uma maior abertura e enriquecimento da actividade do atelier nos planos da gestão, concepção e execução de projecto e obra. Por via dessa actividade e do reencontro com o estudo tornei-me particular admirador e estudioso de dois expoentes históricos da arquitectura portuguesa: A Igreja e o convento de Jesus de Setúbal obra-prima do nosso Manuelino e o convento da serra da Arrábida obra-prima do nosso vernáculo. Sobre o primeiro decorre actualmente o meu doutoramento pela Universidade do Minho.

Embora as decisões no plano do desenho e da concepção sejam na quase totalidade dos casos atribuíveis a mim não posso contudo deixar de referir a contribuição valiosa e decisiva dos vários colaboradores que integraram as equipas de cada um dos projectos ao longo das várias décadas sem os quais, teria sido impossível a realização de tão extenso trabalho.

Luis Paixão